Amnésia 4 - A Paisagem

Amnésia 4 – A Paisagem, fotografia impressa em backlight, 24(A) x 73(L) x 9(P)cm, 2012

Description

Esta fotomontagem impressa em backlight dá continuidade à investigação sobre as relações entre memória e fotografia. Neste trabalho, duas fotografias desvanecidas, sem relação uma com a outra, são colocadas lado a lado, travando um falso diálogo entre o que foi registrado e o que efetivamente se viu, simulando o afastamento que existe entre aquilo que o fotógrafo vê e aquilo que ele fotografa.

A opção pela montagem em backlight propõe que o trabalho tenha sua fruição ambientada na contra luz e em ambiente com menor iluminação.

Exposições

2016 – lá onde ele está não há ninguém / GARE – ABRA Vila Mariana / São Paulo / São Paulo
https://www.flickr.com/photos/bethbarone/sets/72157675380396535/
2012 – incômodos / Casa do Olhar Luiz Sacilotto / São Paulo
https://www.flickr.com/photos/bethbarone/sets/72157629502212719/

Textos adicionais

“Em Amnésia 4 – A Paisagem, foi feita uma montagem colocando lado a lado duas fotografias tiradas em épocas diferentes, ambas desvanecidas (…). Na foto da esquerda uma senhora idosa olha em direção a uma paisagem tão esbranquiçada, que dela nada se vê. Na foto da direita vê-se uma paisagem cujo desbotamento se assemelha a uma névoa. A fotomontagem se aproveita do olhar para a direita, indicando que é para essa segunda foto que seu olhar se lança: uma outra paisagem que nada tem a ver com o que, supostamente, a senhora estaria, de fato, olhando. Esse procedimento simula o afastamento que existe entre aquilo que se vê e aquilo que se fotografa.
Vimos que a fotografia, assim como o olho, se utiliza da refletividade da luz da cena para fazer seu registro natural, porém, sofre deformações por conta da escolha do filme, da revelação, da bidimensionalidade, afastando-se ainda mais daquilo que foi visto e vivido pela pessoa, transformando-se numa outra paisagem.
O próprio ato de enxergar, conforme vimos em Pinker (2001), depende não só do acontecimento fisiológico, como também da interpretação conceitual que cada um faz do seu mundo. E Dubois (1994), ao analisar as teorias freudianas, também acrescentou a ideia de que sempre haverá uma espécie de latência no positivo mais afirmado , dizendo que uma foto é sempre assombrada, de que há sempre algo que foi perdido ou transformado no seu percurso, afirmando que uma foto, sempre será, em boa parte, uma imagem mental.
Para a apresentação, a fotomontagem foi impressa em backlight, ou seja, ela foi acondicionada numa caixa de madeira preta com um pedaço de acrílico na frente (…). Com lâmpadas internas a fotomontagem é vista na contraluz.
A contraluz é, na foto da idosa, a orientação da luz utilizada na tomada fotográfica, que faz dela quase uma silhueta preta indistinta. O backlight reproduz esse direcionamento de luz. Ao olhar o objeto, o espectador recebe essa luminosidade de frente, colocando-se na condição do próprio filme ou sensor, que são os receptores dessa iluminação. Além disso, o backlight nos traz a ideia da imagem fotográfica como transparência, como espectro e enfatiza seu desaparecimento, numa representação do esvaecimento das imagens mentais e do esquecimento.” Beth Barone para a monografia “Fotografia e memória: a presença de uma ausência” (2013).

Beth Barone © 2012